Sou nerd, mas tô na moda

Dois posts no mesmo dia!!! Inspiração)

http://super.abril.com.br/revista/245/materia_revista_256871.shtml?pagina=1

Entenda como os garotos mais estranhos do colégio conquistaram o mundo- e a indústria do entretenimento
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(Você sabe o que é um nerd: aquele cara meio estranho, sem vida social, que adora ciência e tecnologia e tem hobbies obscuros (tipo colecionar gibis japoneses).

Se alguém o chamar de nerd – ou de geek, um subtipo nerd, mais descolado e viciado em brinquedos tecnológicos –, provavelmente não está fazendo um elogio. Ou está? Por incrível que pareça, o nerdismo está na moda. Olhe na TV e no cinema e você perceberá isso.

Até o fim dos anos 90, as séries mais populares eram as comédias urbanas, como Friends e Seinfeld(*meu comentário: Seinfeld é um nerd!!!). Em 2007, muitos dos sucessos da programação têm uma queda nerd: seja solucionando crimes com alta
tecnologia (os detetives de CSI), reinventando a medicina (o cabeçudo doutor de House), discutindo conceitos da física (as teorias por trás de Lost) ou criando computadores (em Heroes).

Essa overdose científica não acontece à toa. É o resultado de uma tendência: a temática dá boa audiências e as emissoras resolvem investir mais dinheiro nela. Tanto que uma das maiores a postas para a temporada é a série The Big Bang Theory (“A Teoria do Big-Bang”), onde os protagonistas, físicos do Instituto de Tecnologia da Califórnia,
tentam conquistar garotas declamando conceitos da Teoria da Relatividade. No horário nobre.

Na 1ª semana de outubro, que marcou a estréia da temporada 2007 nos EUA, 3 programas nerds lideraram a audiência: House, Bionic Woman e CSI. (A conta não inclui as hiperpopulares Lost e Heroes, que continuam de férias.)

CSI foi tão bem-sucedida que deu origem a duas outras séries – CSI New York e CSI Miami. Juntas, elas são seguidas por mais de 2 bilhões de pessoas, em 200 países. “Agora, ser geek é legal”, anunciou o vice-presidente da rede NBC, que já tinha Heroes e acaba de lançar Chuck, sobre um nerd que recebeu no cérebro o download de informações sigilosas.

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Leia mais Dá para ver o fenômeno na música também. O indie rock é a aposta das gravadoras para ganhar dinheiro e sobreviver ao inferno dos downloads piratas.

O cinema também está na onda. Só para citar um exemplo, o veterano Bruce Willis, último dos heróis de ação, se rendeu em Duro de Matar 4.0 – mesmo com toda a sua força, para vencer os bandidos ele teve de pedir a ajuda, veja só, de um hacker.

É o caso de perguntar o que está acontecendo com o mundo. Como aqueles meninos que babavam na gola, os mais ridicularizados do colégio, foram alçados a heróis dos nossos tempos? “Os nerds são muito mais importantes e necessários atualmente”, explica o jornalista americano Neil Feineman, autor do livro Geek Chic – The Ultimate Guide to Geek Culture (“Guia da Cultura Geek”, sem versão em português).

Quando Bill Gates começou a fazer fortuna, nos anos 80, passar a tarde no computador era motivo de chacota. Hoje, é impossível viver longe de um pc. A sua vida está cada dia mais digital – e esse é um caminho sem volta.

É aí que entram os nerds: são eles que vão nos guiar à terra prometida da revolução tecnológica. Vão consertar o computador de casa, recomendar softwares e ensinar a usar todos os recursos do iPhone. De quebra, vão explicar todos os mistérios de Lost!

Repare na diferença: o novo nerd é um cara legal, cujas habilidades são socialmente desejáveis – um sujeito que mesmo você, que não é nerd (ou é?), gostaria de ter como amigo.

Além de mais importantes, os novos nerds estão cheios da grana. “Hoje, você pode fundar uma empresinha de internet e ficar famoso e milionário, como se fosse um astro do rock”, diz Feineman. Já ouviu falar nos donos do Google? Nos YouTube boys? No fundador do Facebook, 23 anos de espinhas na cara e proprietário de um site que pode valer US$ 5 bilhões? Todos nerds. E ricos.

Nos EUA, o setor de tecnologia paga um salário mensal médio de US$ 9.200. Entre todos os setores da economia, só o mercado financeiro remunera melhor. Isso sem falar nas grandes empresas do ramo, que cobrem de mimos seu exército geek: o Google é considerado o melhor lugar do mundo para trabalhar.

Com tanta popularidade – agora todo mundo quer ser nerd! – era natural que o mercado cultural refletisse as mudanças. A indústria dos games, passatempo preferido desse pessoal, já supera Hollywood: fatura US$ 13,5 bilhões anuais, contra US$ 9,5 bilhões dos estúdios de cinema. Até o perfil do jogador mudou: neste ano, pela primeira vez uma pesquisa mostrou as mulheres como maioria entre os gamers. Tudo graças aos jogos online e ao console Wii, da Nintendo, que inaugurou uma nova maneira de jogar, simples e acessível.

É apenas mais uma prova de que a tecnologia saiu do gueto dos garotos com espinhas. Ouça um grupo de meninas e você perceberá que elas falam sobre internet, não vivem sem iPod, sem blog, sem perfil no orkut.

As pessoas comuns estão ficando mais nerds – e os nerds estão ficando mais normais. Isso não quer dizer, claro, que eles sejam totalmente normais. Alguns ainda estão longe disso. Imagine que, ao ver a namorada triste, o rapaz queira dizer algo para acalmá-la. “A vida é cheia de paradoxos. Como a luz, por exemplo. Ela é uma onda, mas aí veio Einstein e mostrou que ela também se comporta como partículas.” Ainda existem coisas que só meganerds, como o físico Leonard, protagonista de The Big Bang Theory, é capaz de fazer.

15 Respostas to “Sou nerd, mas tô na moda”


  1. 2 Raquel Novembro 11, 2007 às 6:09 pm

    Eu gostei mto do seu ponto de vista, em relaçao a “moda nerd”

    mas isso eu acho, eh uma teoria, pq mesmo tendo o sucesso desses seriados nerds e filmes nerds, na pratica isso nao acontece
    nao há ainda um popularizaçao do ” nerd”
    vou dar um exemplo do meio q eu vivo, q eh a escola.
    eh mto dificil vc achar um nerd, principalmente um q se assuma como nerd,
    de um jeito ou de outro os nerds ainda sao mtas vezes excluidos e motivo de piada.

    eu sou nerd e eu gosto disso… e eu nao tenho mto medo de q isso vire moda, pq de um jeito ou de outro alguns ainda vao ter um ponto de vista proprio, e esses serao os novos nerds

  2. 3 marcus Novembro 21, 2007 às 4:53 pm

    Claro que Seinfeld é nerd! Ele tem uma action figure do Super Homem na estante da sala!

    Tu tem as imagens do post em maior resolução? A segunda é muito boa!

    Adorei post. Assinei teu feed só por causa dele.

  3. 4 stefan Novembro 21, 2007 às 6:00 pm

    Concordo com o cara de cima, cai de paraquedas aqui.. Não acho que nerd está na moda viu.. Nerd só é mais requisitado e não na moda.. hehe

  4. 5 Johnny C Novembro 21, 2007 às 7:07 pm

    vou dar meu pitaco por aqui também (apesar desse post ser quase de um mês atrás… rs..) – acho que sou um “meio nerd”. Naquela imagem que você colocou no meio do post, fico no quadrante do “Neonerd / Descolado” rs…

    Sentia muito a parte da exclusão no primário, até a 8a série… acho que foi no colégio que comecei a ficar mais “descolado” rs tinha mais amigos e tal. mas uma coisa que me persegue é o estigma antigo de que nerds não pegam garotas bonitas rs…

    adorei seu texto! ganhaste um leitor! =)

  5. 6 spark Novembro 22, 2007 às 3:11 pm

    Oi carol,

    seu post está incrível, talvez por me identificar tanto com ele.
    era o garoto zoado na escola, que gostava era de matemática. mas naquele seu gráfico, eu vou para todos os lados, acho que sou pan-nerd. (que horror)

    vi seu post no blog do cardoso, não conhecia seu blog. um absurdo.
    agora, devidamente assinado :)

    spark

  6. 7 spark Novembro 22, 2007 às 6:35 pm

    ops.
    por uma coincidência do além, eu tenho uma amiga chamada Carol, que usa o nick de aliengirl. e, pelo que vi no flickr, não é você :)

    vou continuar lendo, gostei dos textos :]

  7. 8 Glacial Novembro 23, 2007 às 11:51 am

    Acho que sou um clássico neonerd descolado com picos de CDF :)

  8. 9 Aztronauta Novembro 23, 2007 às 12:21 pm

    Sensacional o texto. Ganhou um novo leitor.

    Abraços.

  9. 10 Giseli Novembro 23, 2007 às 2:37 pm

    Oi Carol,
    Interessante post, gostei! :)
    Não acho que ser “nerd” é da moda, é apenas um jeito de ser, como outros. Ainda tem muitos que preferem não ser nerds assumidos, mas eu sou, e com orgulho :D
    Muito bom! :)

  10. 11 Tiago Novembro 27, 2007 às 7:27 pm

    Muito legal o post!

    Assinado também =)

  11. 12 tigo Novembro 30, 2007 às 5:07 am

    Trabalho para uma casa noturna pra lá de badalada na minha região e por causa de tal fica claro um certo “social” com o qual um tanto de gente me trata até que minhas nerdisses, naturalmente, vão dando algum tipo de sinal e bahh… jah era… +/- a mesma história de sempre de todo nerd.
    Ser nerd e estar na moda é contextual e/ou casual, não podia ser diferente ;)

    Lá no gráfico vou para todos os lados como o spark.//

    Parabéns pelo blog Aliengirl.

  12. 13 edsonmattos Dezembro 2, 2007 às 9:19 am

    Também não acho que ser nerd está na moda. Pode ser nos EUA, aqui no Brasil não, principalmente entre os negros, onde os zé manés são ridicularizados e preteridos pelas mulheres…

    Acordem, tá no DNA! O cara pode até ter utilidade prática, ser usado, mas não trará emoções fortes pra mulher: será o simples pagador de contas.


  1. 1 Amor em tempos de nerd | Fenomenologia Trackback em Novembro 21, 2007 às 4:11 pm
  2. 2 teoria glacial » Nerdismo Trackback em Novembro 23, 2007 às 12:08 pm

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